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domingo, 18 de setembro de 2016

A FINA FLOR DO TEMPO


Escorre como areia
entre os dedos.
Num círculo de luz
mais uma lua
Mais um périplo do sol
no  Universo
Mais um suspiro de amor
entre os amantes
Mais um passo na estrada
e no caminho.
Mais um sonho que se esvai
e que se perde
Mais um minuto  no
calor da noite
Mais uma estrela cadente
risca o céu
Mais uma gota de orvalho
cristaliza.
Uma flor que prenuncia
a primavera
Um lendário pavor circunda
o sono
Uma chama que se expande
brilha forte
Até que em carvão se esmoreça.
Uma ruga que aparece
em seu rosto
Um sorriso entristecido
na lembrança
Uma tênue esperança
de um momento
Ser aquele que se espera
toda vida.
Ver a vida para trás
e para frente
Estender-se como conto
bem descrito
Onde a paz é o que se quer
e o que se pede
Ficar feliz quando o amor
é bem servido.
Ver os filhos florescerem
e darem frutos
Ver os rebentos da videira
como cachos
Experimentar o sumo doce
do vinhedo
Saboreando a fina flor do tempo
que escorre como areia
entre os dedos.


Guaraciaba Perides


Hier encore   com Charles Aznavour



Flor de cerejeira  imagem retirada da  internet


sábado, 10 de setembro de 2016

FESTA DE LUA


Perdeu- se pelos arredores e entrou na mata... ao longe avistava a rodovia 
e por isso não temeu.
O lugar era agradavelmente fresco e pensando, pensando , subiu a encosta.
Ao longo do caminho encontrou uma clareira e por entre as ramagens o sol
iluminava   o chão criando sensações de luz e sombra.
Sentou-se entre as grossas raízes de uma árvore gigantesca que lá no alto
abria-se frondosa.
Encostou seu corpo ao tronco, fechou os olhos e ficou ouvindo o  chilrear
dos pássaros. Dali se ouvia também as águas de um pequeno rio correndo
ao largo.
Era uma sensação tão boa!  Muita paz!
Quando deu por si percebeu que adormecera e já era noite.
A luz do sol fora substituída pela luz da lua  que pelas folhas  das árvores
infiltrava-se agora, trazendo brilho de prata onde antes havia ouro.
Sentiu frio...e também fome.
Ao lado encontrou um amontoado de frutinhas...experimentou, gostou e
comeu mais.
De repente, viu-se num sonho delirante.
Vozes se aproximavam quase em sussurros, muitos risos... e pequeninos
seres  adentraram à clareira, puseram-se em   ciranda e iniciaram uma  linda
canção que  falava de luar , de amor e dos deuses da floresta.
Dançavam alegre e espertos ,de vez em quando, olhavam de soslaio e sorriam.
Ficou passivamente em silêncio.
Os vagalumes acompanhavam  com seus brilhozinhos o pisca- pisca das estrelas.
Além do canto o encanto!
E foi assim por algum tempo, até que a lua girou e se perdeu do outro lado.
As criaturinhas desmancharam a roda e saíram sussurrando  e adentraram 
novamente à mata.
Ficou realmente escuro, mas ao longe e abaixo via-se a rodovia,os carros passando
indicavam a direção do retorno.
Além do mais a madrugada já clareava devagar o caminho....
Foi descendo lentamente a encosta e depois de algum tempo chegou em
casa que fora construída ao sopé da montanha.
Perguntou para si mesmo : Teria sido um sonho?
Mais tarde, já com o sol brilhando forte saiu para a varanda   e  ficou
olhando ao longe, mas nem tão longe, para  a montanha que subia placidamente
entre seus vários tons de verde.

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DESCE   A   NOITE

Piscam, piscam vagalumes sob a noite escura
Coaxando sapos nas charnecas
Grilos perfurando do silêncio , o breu,
Adormece a mata...
Águas vão rolando seixos na ribeira
peixes se aquietam junto à areia branca
Aves que noturnas grasnam atravessando o espaço
Estrela cadente anunciando um sonho.
Sob um céu de estrelas
Toda  a noite desce...
E se houver Festa de Lua,
prateada luz banhando a mata densa,
Seres da floresta dançam seus folguedos
murmurando prece  a  Deus, cantando seus segredos...
Na beleza que perpassa a mata
quando a noite desce.

 Guaraciaba Perides


A  montanha


O caminho


O regato



A montanha nunca mais será a mesma...





domingo, 4 de setembro de 2016

UM HOMEM...


Sol escaldante
Areia fervente
Os pés cansados
Peito ofegante
Olhos ardentes
Lábios ressequidos...
Um  homem caminha
solitário
pelo vasto deserto
que se expande.
Solidão...
O que pensa o homem?
O que o faz caminhar
pela imensidão do nada?
O que da vida espera
e qual o sonho que o move?
O sol se põe, desce a escuridão
O vento faz girar
as dunas movediças
O frio abate e congela o tempo
A fome açoita
A sede mata
O homem caminha
movido pela força do seu Eu...
Renasce o sol e ainda tenro
aquece o coração do homem
Mais um pouco...mais um pouco...
Pensamentos obscuros
lhe percorrem a mente
Mas a fé inquebrantável
o sustenta
E reafirma a esperança que se
aninha na certeza.
Mais um pouco...
Ao fundo se avista a cordilheira
e além do além...a vida que renasce.
Algo no ar promete e uma  pequena brisa
lhe agita docemente as vestes...
Além do além... vão se conformando
silhuetas de paisagens em tons
que se afastam do escaldante chão.
Miragem?  um sonho alucinado?
A alma  que se esvai,o corpo que decai?
Não, não, por Deus!
Mais um pouco...
Gritos ecoam e o ar mais fresco ainda
Paisagens se definem e caules compridos,
finos e delicados  alteiam-se
em pequenos blocos verdejantes.
Relinchos de animais, balidos de ovelhas,
gritos de crianças em correrias...
Tendas e mais tendas...vida humana
O poço...a água...o alimento.
Oásis!
O  céu do caminhante...

Guaraciaba  Perides

Música Instrumental ´Deserto'




A esperança que move montanhas...

sábado, 27 de agosto de 2016

LUZES FLUTUANTES


Ao longe luzes
Refletem o brilho das estrelas
Estão no tempo
há tanto tempo,
que o brilho que nós vemos
já não existe...
São apenas reflexo do ser
naquele instante.
Por que a luz presente
na sombra do passado
ainda brilha?
Por que o brilho do que foi
ainda persiste?
Seria apenas sonho a Estrela Guia
ou é a Estrela que guia eternamente...
Mas, fato é fato.
Estrelas brilham!
Cintilam em nossas almas já  nascidas
e brilham também para o futuro
em novas almas...
Marcam no espaço  o tempo flutuante
e iluminando a vida a todo instante.
Olhando o céu no espelho das estrelas,
a Terra que percorre o seu percurso,
a  Humanidade pensa e repensa o seu destino...
O  passado  mistura-se ao presente
e o presente será passado no futuro.
No percurso das Almas a Via  Láctea
disseminando luzes vai recriando sonhos...

Guaraciaba Perides

The Roches:

Os homens são capazes de sonhar e cantar ao ver  as infinitas possibilidades do Universo...
´
 A  VIA   LÁCTEA

(imagem  da Internet)

sábado, 20 de agosto de 2016

NO JARDIM DOS LABIRINTOS



No jardim dos labirintos
eu  te seguia
Percorrendo alamedas  e esquinas
As vezes via o teu vulto fugidio
passando  como um vento
ou uma nuvem.
Eu, rente a teus pés
e te perdia...
E o sol que se punha no horizonte
trazendo a luz da Lua  no jardim...
Eu te perseguia obstinada
até o raiar de um novo dia.
Queria conhecer a tua essência
E frente a frente conhecer-te finalmente,
conhecer o teu segredo e tua volúpia,
penetrar no teu desejo mais profundo...
E nesse rodopio de quimeras,
 o tempo se desdobra em novo tempo,
e já extenuada pela busca
deixei-me abater no esquecimento.
Cansada dessa busca insana e aflita
fiquei como que adormecida...
Tu vieste  chegando lentamente
estendendo tuas mãos com um sorriso.
Afinal, a busca terminara e me dei conta
que eras minha  Alma escondida,
comigo  todo o tempo e eu não sabia...
que fugindo de mim me perseguias
Era  Eu e eras Tu dentro de mim.
Minha Alma e o meu Eu o tempo todo
nos buscando no Jardim dos labirintos.
Sorrindo para mim eu te sorri
e olhando nos teus olhos compreendi.
Teu rosto era o meu no espelho refletido.
Apaziguados mergulhamos no infinito...

Guaraciaba Perides





Introspección   In-quietude contemplativa  -Darián  Stavans



sábado, 13 de agosto de 2016

AS ONDAS VÃO E VEM...

Um por de sol
Aves no círculo da luz
Ao longe um navio
Apenas um ponto
na linha do horizonte.
no chão de pedras...pedras
Na praia branca e deserta
as ondas vão e vem...
as ondas vão e vem...
as ondas vão e vem...
E, eu, pra onde vou?
De alma azul,
sorrindo prata,
garimpando estrelas,
dando asas ao sonho
de viver a vida...
Que o que importa
é o agora...
E o agora é sempre 
a nossa vez...
Pense uma canção  e solte a voz no tempo
No seu olhar agora há luz do céu azul
e  as ondas a bater na praia
cantam  p'ra você 
uma canção de amor...
Vida, vida, vida...
Nada mais  importa , nada mais se quer
Apenas o fluir das ondas,
no tempo do  agora..
no tempo de amar..

Guaraciaba Perides

Mar Interior    canta Rubi

Um quadro de Henri  Matisse   POLYNESIA

sábado, 6 de agosto de 2016

R A Í Z E S

Como  plantas somos
e de espécies muitas
Brotamos sempre
em todos os lugares
Reconhecemos nossos iguais
Amamos o belo, somos do bem
Nosso alimento é a Poesia
O canto alegre  ou
também as lágrimas
de águas límpidas,
que fazem  mais leves
as  almas irmãs.
Somos aéreas ou subterrâneas
Servimos às vezes como alimento,
Nos transformamos em  "chás de cura"
Sabemos o onde, o como e o quanto...
nem sempre é fácil o nosso brotar
É muita luta o esforço insano
Mas , é de sonho o nosso viver
E aspiramos cobrir a Terra
com nossos frutos.
O  Sol  amigo é o nosso rei
A meiga Lua é nossa irmã
É a amizade que nos conforta
E o  Amor  que a tudo suporta
formam o esteios da irmandade.
São nossas senhas que identificam
as nossas formas de parentesco...
formando a rede de nossas raízes
que cobrem o mundo e o sustentam...
Que vencem o medo e a vilania
Fazem do Bem a sua  Bandeira
e da linguagem  sua Poesia.

Guaraciaba Perides


Que as crianças cantem livres... num belo vídeo a música de Taiguara


Quadro de Van Gogh   Arvore da Amora

Sonhadores do mundo
unidos pela alma
No delírio de viver e existir
Façam do mundo outro lugar
onde a magia   seja a matéria absoluta
e a Terra se salve pela  Poesia...

Guaraciaba Perides.
http://guaraciabagperides.blogspot.com.br/